4 de maio de 2009

Sozinho a dois


Quanto tempo faz eu já nem sei dizer, eu já nem sei porquê. Já nem penso mais tanto quanto eu pensava em você. Eu tentei demais até perder toda esperança em você. Quanto tempo faz, hoje eu já nem sei e não quero nem saber. Mas sempre tem dias onde tudo é diferente, por mais que eu tente você volta como se estivesse tudo bem. Chega de se enganar, eu não vou mais mentir, já cansei de fica sempre pra depois. Prefiro ficar só mas ter certeza de quem sou, melhor do que estar sozinho a dois. Sozinho a dois. Tudo de errado que existiu entre a gente não dá pra esquecer, mas pelo menos eu posso gritar: Obrigada por me deixar viver. Mesmo sem você agora sei quem sou. Eu pedi não vai embora, mas você nem ligou.



(Hateen)

2 de maio de 2009

O ser humano se apaixona porque consegue se enxergar em outra pessoa. Ele vê seus próprios gestos, manias e qualidades habitando um outro corpo. Nesse momento, não existe o amor. O amor brota quando a maquiagem desaparece e as diferenças vêm para a superfície. É nesse momento que surge as discórdias, discussões, implicâncias e consequentemente a intolerância com o outro. Mas é nesse exato momento que o amor precisa falar mais alto,é nesse ponto que o excesso de amor é saudável. Nesse estágio do relacionamento, não existe o esgotamento do amor. O que há é a total falta de capacidade de lidar com um conjunto de características opostas.
O homem traz consigo grandes aprendizados e evoluções necessárias para sua sobrevivência. O único erro que ainda insiste em cometer é a impaciência para lidar com um pensamento oposto ao seu. E, infelizmente, também não tem vontade de mudar essa situação e fecha os olhos para a melhor solução: o diálogo. É muito mais cômodo apontar o dedo no rosto do outro ou pôr a culpa no destino do que insistir no amor por meio da conversa. É muito mais fácil jogar tudo para o alto do que aprender a ouvir o próximo.A mente humana é contraditória demais para poder tirar alguma conclusão. Enquanto é capaz de matar o planeta silenciosamente, não consegue dedicar um tempo para ouvir o próximo.

28 de abril de 2009

O que existe aqui, são só palavras. Hoje tentei escrever de várias maneiras, e sempre terminava voltando ao mesmo começo. Não consegui escrever belos poemas, a mágoa insistia em falar mais alto. Isso é algo inédito, pois só me lembro de momentos que as palavras fervilhavam na minha minha cabeça, todas querendo sair ao mesmo tempo, e eu tentando organizá-las. Parece que tudo mudou mesmo, todos os acontecimentos indicam meu esfriamento, e torço para as consequências positivas predominarem. Mas já que hoje aconteceu isso comigo, decidi que é melhor ficar um tempo sem tentar traduzir sonhos e pensamentos. Existem confissões que não devem ser reveladas, existem sonhos que não devem ser desvendados. Será melhor, pois o que eu sinto não mudará nunca.

26 de abril de 2009

É mágoa. E eu quero dizer de antemão: se eu te encontrar, saiba que estou com três pedras na mão. Ontem eu saí por aí procurando uma contramão, e acabei chegando na sua rua. Enquanto tentava achar sua janela, lembrei do nosso combinado de cada um ficar na sua, mas a saudade realmente me tirava a consciência. Foi nesse mesmo instante que eu atirei uma pedra na sua janela e corri por arrependimento. Era o medo de te acertar que me apavorou, mas em meio a todo o torpor, minha intenção era te acertar, e disso eu quase me esqueci. Atirei outra pedra na sua janela, uma que não fez o menor ruído. Não quebrou, não rachou, não deu em nada, então pensei que talvez você esteja tentando me esquecer. O que eu não consegui foi te acertar o coração, pois pelo tanto que eu tinha sofrido, eu já era o meu próprio alvo. Minha raiva quase transpassou a espessura do seu vidro, junto com essa mágoa que tomou conta da minha vida. E se você me viu, saiba que eu chorei apenas água com sal. Os meus olhos vermelhos estavam de volta, ali na sua frente. Se desse um vento, seria maremoto. É mágoa.

24 de abril de 2009

A canção tocou na hora errada. E eu que pensei que eu sabia tudo, mas se é você eu não sei nada. Quando ouvi a canção, era madrugada. Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caia bem como uma luva. Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual. A canção tocou no rádio agora, mas você não pôde ouvir por causa do temporal. Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma, já que eu não sei de que forma você foi embora. A canção tocou na hora errada, mas não tem nada não, eu até lembrei das rosas que dão no inverno, quem sabe elas possam me responder como foi essa sua forma de ir embora.

23 de abril de 2009

Dessa vez, não quero que você saiba que meu pensamento está em você. Trago apenas a intenção de te mostrar que te quero sempre bem. Saiba que quando a noite chega e traz consigo a calmaria, eu peço a Deus para que proteja seu caminho, já que este nunca mais me pertencerá. Oro também para Ele ajudar-te a planejar seus passos, evitando ao máximo que se perca com uma ilusão, e que faça opções favoráveis para você mesmo. E Deus sempre atende minhas preces. Então, ficarei feliz se algum dia chegar aos meus ouvidos que você traçou um caminho brilhante e que parou de perder chances únicas ao provar do próprio veneno. E ficarei mais feliz ainda se souber que sua visão deixou de ser voltada somente para seu umbigo e que soube dar o devido valor para cada pessoa que foi capaz de ter dar o mundo. Quando esses tempos chegarem e você sentir o gosto do meu beijo invadir sua boca involuntariamente, agradecerei aos céus e te esperarei, pois você saberá onde me achar.

22 de abril de 2009

Eu poderia estar com a consciência pesada e arrependida por certas atitudes, mas não estou. E nem vou ficar. O fato de eu ter participado de um jogo sujo não me incomoda. Eu entrei nesse psico-jogo com a certeza da vitória, e ela veio. Sim, por poucas horas, mas veio. Desde o primeiro dia eu tenho fixado na cabeça as jogadas certas para alcançar meu objetivo. Eu optei por esse caminho, escolhi as cartas e assumi as consequências. Agora, o que eu lucrar ou perder só cabe a mim. Já que agora eu posso lavar minhas mãos e acusar todos que me deram uma gaiola disfarçada como presente de Natal. Uma vez assumida as consequências, vou continuar exercendo a liberdade que conquistei, sem deixar alguém me dizer o que devo fazer. Chegou a hora de dar valor ao meu suor.

21 de abril de 2009

Alegria = alegria

Não é difícil perceber que esse clima de mistério não se deve ao filme de terror que transcorre na tela. São esses olhos que me embriagam de desejo que compõem esse enigmático clima. É nesse olhar que eu me perco tentando decifrar a percentagem de inocência e perversão que existe no seu ser. É nessa boca que eu tento achar respostas para as dúvidas que me acercam, mas que eu esqueço quando nossos lábios se entrelaçam e o mundo pára para eu ser feliz. É nesse seu peito que me aquece que eu deposito meus dias de escuridão e dor. É no brilho desse seu sorriso tímido, meio de lado, que eu sinto meu coração bater mais forte, ainda não acreditando que essa cena é real e que a vitória do jogo é minha. E é por causa do seu conjunto de características que me fazem tão bem que eu te agradeço por ter me devolvido a alegria e o brilho da vida por alguns instantes. Pode ser que demore demais para eu sentir tanta alegria assim de novo.

15 de abril de 2009

The Last


Eu sempre soube que aquela seria a última vez. Sempre soube que aquela seria a última noite que nossos lábios se encontrariam. Não sei porque não me permiti ter consciência disso, sendo que era tão óbvio. Aliás, tudo já estava claro há muito tempo. Não foi da noite pro dia que o fim chegou. O fim foi nos consumindo pouco a pouco, bem lentamente para podermos apreciar o amargo gosto que se contrastava com nossos beijos. E por mais que eu tentasse nos defender dessa tempestade, minhas armas nunca eram suficientes. Essa tempestade me cansava, a maré subia exponencialmente e a nossa vida se tornou uma bomba relógio, com o fim marcado. E hoje te agradeço por ter explodido essa bomba de tal modo. Te agradeço por ter acabado rapidamente com nossa vida. Machucou demais e nem tem como mencionar o quanto a dor foi terrível. Mas hoje posso notar claramente meu consequente e positivo amadurecimento. Também te agradeço por ter feito as coisas se tornarem tão crueis, ter complicado o incomplicável e não ter seguido nenhum combinado nosso. Suas atitudes me fizeram sangrar durante semanas, mas foram essenciais para eu renovar meus pensamentos sobre tudo, mesmo tudo sendo muita coisa. E não é a toa que hoje eu não lembro mais nem da cor do sangue. Sem sombra de dúvidas, eu ainda estaria doente de amor se não tivesse vindo à tona suas sujas atitudes. Por isso, também te agradeço por ter me mostrado (um pouco tardamente) a realidade do 'ser diferente de todos'. Pode estar certo de que isso também foi muito importante pra mim, e a verdade não poderia ter aparecido em hora melhor. Em suma, minha atual felicidade te agradece por ter sido tão frio e ter jogado tão estupidamente. Muito obrigada mesmo.

7 de abril de 2009


Cada vez que eu vou, fica um pedaço de mim perdido em algum canto. Talvez aí em você, talvez no teu quarto, talvez na tua cama, talvez no teu chão. Talvez fique no sonho que não vivemos até o fim ou no desencontro, talvez no ponto ou no encanto. Só sei que fica um pedaço de mim e vai um pedaço seu comigo. O seu não fica perdido em nenhum canto. Fica vivo e nobre, rei de todos meus sentimentos, monarca de mim mesmo.