3 de novembro de 2009

14 horas

Queria eu ter o poder de transformar poucas horas em uma vida toda. Assim, eu eternizaria cada segundo que gastamos aproveitando o desejo e passaria com prazer o resto de minha vida. Não só por você estar preso junto a mim, mas também por me amar de tal maneira. Difícil é não pensar em você e também não lembrar do seu olhar. Mas, talvez seja só um exagero meu, talvez a cama não esteja mesmo tão fria e você já voltará para me ver. Talvez eu também consiga dormir bem essa noite, com a certeza de que noites melhores virão.
Enquanto noites eternas não chegam, eu fico aqui, no mesmo lugar, esperando por você para poder conhecer a verdadeira tranquilidade.

2 de novembro de 2009

Difícil seria eu me perdoar se eu não tivesse me encantado por você. Seus olhos, sua boca, sua história. Cada detalhe que te pertence é raro e especial, e eu não preciso ficar deitada perto de você para perceber isso. Você conhece meu jeito de pensar, sabe que eu não falaria nada disso se não fosse a mais pura verdade. Sabe também que eu não teria tanta paz ao seu lado se isso tudo fosse passageiro, se você não tivesse reaparecido para, dessa vez, ficar de verdade. Não foi a toa que nossos passos decidiram se cruzar agora. Te vejo mais maduro e completo, e, por favor, não diga que é porque me vejo refletida em você. Todo mundo já sabe que me acho - e me perco - em você, por mais discretos que sejamos. Não dá para esconder o brilho dos meus olhos quando algum conhecido me pergunta sobre você. Digo sempre que você está bem, você merece ficar bem. Há poucos meses, você me permitiu te deixar bem, te fazer o bem. Pode-se passar quanto tempo for, eu não vou esquecer dessa minha missão, uma vez que é a melhor que já recebi. Seja para fazer carinho até você dormir ou para te acordar com um grande abraço, eu vou estar aqui, não tenha medo. Também não tenha vontade de ficar longe de mim, me dói o coração só de pensar nessa tragédia. Assim como é um desperdício dormir quando estou ao lado seu, passar a vida sem você é um grande castigo.

26 de outubro de 2009


Depois que a vida alcança um certo estágio, a duração dos anos se equivale à dos meses, mas eu me lembro muito bem daquele dia. Bons amigos tomando um drink para esquecer os tropeços da vida, e, inconscientemente, dando o primeiro passo para um bom romance. Bons romances nascem justamente onde não há expectativa que eles nasçam. Esse foi o meu caso. Ele, sempre muito detalhista, reparou nos meus brincos, e até se lembrou que só posso usar os de ouro ou prata. Há quanto tempo eu não recebia um elogio? Há quanto tempo eu era apenas mais um vírgula em meio a tantas outras? Ele é diferente, tive a certeza. Aproveitei a ocasião para perceber que sua camiseta Polo realçava o brilho dos seus olhos. Será que ele me olhava assim, tão terno, apenas querendo desabafar suas dores de amor? Talvez ele esteja reparando em cada detalhe do meu rosto e torcendo para que esse momento não acabe tão cedo. A segunda opção me agrada mais, mas não é hora de querer que as coisas saiam conforme meu desejo. Ele continua me controlando pelo olhar, não desviando a atenção nem para seu copo cheio de whisky. Que bom que ele gosta de beber. Não há nada melhor do que romances regados a vinho. Whisky deve ser bom também.
Ficção não é comigo, ele sabe. Não tenho medo de lhe revelar minhas angústias passadas. Só ele para acreditar na veracidade de tais fatos enquanto todos desconfiam. Ele me ouve tão compreensivamente. Será que lhe contaram que é justamente disso que eu preciso? Minhas palavras nunca tiveram um companheiro fiel afim de ouvi-las incessavelmente. Veja onde eu o encontrei, mesmo o conhecendo há tantos anos: numa mesa de bar saturada de bebidas vazias e cigarros jogados. Essa vida é mesmo muito engraçada. Por que ele continua me conquistando tanto? Nós podemos não dar certo e amanhã não existir nem amizade. Ele me vê frágil. Por que se aproveitar? Prefiro continuar solteira do que perder essa amizade.
A noite passa tão rápido a ponto de não percebermos os primeiros raios de sol. "Conheço um lugar ótimo para apreciar o nascer do sol". Ele me explica que há um cais abandonado que parece ser feito para os amantes de tal espetáculo e nós vamos até lá. Sigo o carro dele durante todo o caminho e minha pele já parece fria sem sua companhia. Isso não está acontecendo. Não conosco, por favor.
Chegamos rápido ao tal cais, e por não saber dizer se as ruas estavam mesmo calmas, percebo que minha atenção é toda dele. O nascer do sol realmente é mágico, sem querer limitá-lo. Ficamos juntos nesse ambiente que reúne tantas sensações visuais. Um abraço para alimentar nossa vontade. Mais uns instantes contemplando o restante. Um beijo. Um beijo fatal, doce e incrivelmente fantástico. Meu cérebro nunca conheceu tal sensação, de tão boa. Ele nunca me olhou daquele jeito. Na hora, desejei filmar para eternizar tal momento, mas não foi preciso. Até hoje sinto a mesma sensação, tremo com o mesmo olhar. Não preciso querer reviver tal noite, conseguimos construir melhores a cada vez. E isso já faz tempo, muito tempo.

6 de outubro de 2009

Por favor, não. Não vá embora desse jeito, não destrua nossos planos. Passamos tanto tempo juntos, construímos tão bem o nosso mundo. Por que terminar agora? Por que acabar desse jeito? Não dê ouvidos aos outros. Nós sabemos o que acontece entre nós, os outros são meros detalhes. Deixe falarem, deixa inventarem, deixe apontarem. Você pode ler a verdade nos meus olhos quando ficamos jutnos. Os outros não. Eles têm que mentir para nos ver infelizes, já que sabem o quanto nossa felicidade é concreta. Será que também sabem que meu pensamento só fica em você? Não resta tempo para eu ficar pensando nessas superficialidades. Faça o mesmo. Pense em mim e deixa eu te mostrar como somos bons juntos. Confie, sou a última pessoa que poderia te desejar o mal. Você está dentro de mim, se sofre, eu também sofro. Por isso, sorria. Permita-me sorrir também, quero ter a felicidade de passar uma vida inteira sorrindo ao seu lado, amar sem limites. Fique. Note como meu sorriso é frio sem você, como meus olhos marejam com essa dor. Não quero isso. Querto ter o calor que só você me proporciona.
Não, por favor, não.

2 de outubro de 2009

Saudade
Saudade que aperta, sufoca
Dói.
Apenas lembranças
Dias longos, risadas noturnas
É isso que eu quero.
Férias. Passadas.
Reviver o passado, sorrir de novo
Verdadeiramente
Destinos separados. Cada um no seu canto.
Cada um com seu futuro.
Responsabilidades.
Cidade grande, futuro certo
Prefiro a pequena.
Quero a tranquilidade, a monotonia
As amizades duradouras. Porto seguro.
Cidade grande é sinônimo de morte. Interior.
Figuras caracterizadas te enganam
Pisam. Riem.
Na alma. Na cara.
Prefiro a pequena.
Eu quero a pequena.

29 de setembro de 2009

Eu posso fingir que não percebo as coisas erradas ao nosso redor. É uma opção minha. A realidade é diferente, e é claro que eu enxergo muito bem o mundo distorcido que nos cerca. Ninguém explicita nada, é melhor digerir tudo individualmente. Todos fecham os olhos pois é mais fácil do que tentar consertar.
Você pode fingir que não nota mais nada além de mim. É uma opção sua. Percebo que o jeito dos outros agirem atrai sua atenção e que o caminhar de outra mulher te atrai. Essa é a realidade. Pra que mudar? No fundo, sei que no nosso canto você age por você mesmo e suas originais atitudes me encantam. Também é certo que você só me deseja. Paradoxalmente, vejo o contrário, mas sei da verdade. Sei que é meu sorriso que te acalma e meu beijo que te sacia. Seu abraço aqui, o meu aí. Por isso, seja livre o quanto desejar, somente assim terei a certeza de que não temos a obrigação de estar juntos, fazemos isso por puro desejo.

23 de setembro de 2009

Imperativo


Surpreenda-me. Bata na minha janela à noite, cubra meu telhado de rosas. Esqueça a razão. Ligue-me de madrugada para confessar que estava errado durante a discussão, convide-me para passar o final de semana inteiro em um quarto contigo. Aja loucamente, esqueça as pessoas ao redor, roube um beijo meu no meio da multidão após gritar que você é só meu. Não pense pequeno, mostre para o mundo o quanto o amor é real, mas primeiro me mostre que você é real. Faça o que desejar com minha vida, marque uma viagem para nós dois e comece a planejar as próximas. Sempre melhor, sempre juntos. Finja esquecer suas coisas em cima da minha mesa só para eu ver que nossa foto está dentro da sua carteira. Finja não saber que chegarei de surpresa na sua casa, para eu abrir aquele sorriso que você tanto gosta. Marque minha vida. Se não quiser permanecer nela, pelo menos marque-a. Faça-me lembrar de ti a cada instante, deixe vestígios seus em mim. Não quero pensar que foram apenas dias bem gastos ao seu lado, quero desejar estar ao seu lado de novo. Quero que você não demonstre, mas que saiba o quanto te quero. E palavras não poderão expressar o quanto eu te quero e como isso cresce a cada dia.

13 de setembro de 2009

Eu te amo. Por que não? Não seria pecado dizer que te amo por cada momento que passou ao meu lado. Amo-te ainda por cada segundo que você dedicou a minha vida. Amo-te por cada vez que suas mãos tocaram as minhas, por cada vez que seus olhos me enxergaram. Amo-te por cada tarde que passamos planejando o futuro. O nosso futuro. Amo-te também por isso. Pelo nosso futuro que ficou lá atrás e pelo nosso presente que ainda virá. Amo-te por todos os defeitos que te fazem tão presente aqui comigo, por cada mania sua que virou minha e pelo meu jeito de sorrir que ficou em você. Amo-te por cada fase ruim que passamos juntos, sem imaginar que seria pior separados. Amo-te por cada vez que persistimos e por cada ferida que permanece aberta. Amo-te sem interesses maiores, sem modéstias e sem restrições. Amo-te de um modo tão pleno que chega a apertar o coração. Antes com saudade, hoje com carinho. Amar não significa perdão completo, mas implica em admiração absoluta. Admiração pela sua história, essa que um dia também foi minha. Amo-te por cada conselho amigo e por cada cobrança - correta ou não - que eu recebi. Amo-te pelas conquistas e pelos planos que ficaram no aguardo. Talvez eles tenham que esperar mais um ano, talvez esperem mais alguns meses. Quem garante que ainda serão válidos? Eu. Garanto apenas porque sei que algo tão bom não pode ser desperdiçado.

4 de setembro de 2009

A vida se encarrega de arrumar cada parte do quebra cabeça. Não posso tentar encaixar peças de acordo com minha vontade. Cabe a mim apenas a parte do desejar, pois sei que o que deve ficar no passado, lá ficará. Do mesmo modo, o presente e o futuro.
Não quero me exaustar mais com planos que estão temporalmente incorretos, além de fora do meu alcance. Uma outra linha muito nítida foi construída e hoje a enxergo como um abismo. Considero-a assim pois sei sua profundidade. Ao tentar transpô-la, me encontrei no ápice do seu fundo. Ergui-me, bati a poeira e voltei a enxergar a claridade. Infelizmente, esse foi um ciclo de meses. Poderia até afirmar que me acostumei com isso, mas não seria transparente dizer que me adapto a situações ruins.
Quero viver para conhecer todos os extremos da felicidade, e sei que isso eu consigo. Não há razão para lamentações e nem para desgastes maiores. A cada dia, o futuro está mais próximo e nele colherei as sementes que rego há tempos, independente de qual distância estou do abismo.

1 de setembro de 2009


O chuveiro está ligado e a água está escorrendo. Delicadamente, molha cada centímetro do meu corpo, se contrastando com a brutalidade que as lágrimas marejam meus olhos. Não choro por estar nervosa, como sempre faço. Choro por não conseguir comprender a complexidade e frieza que me acercam. Não posso entender - muito menos aceitar - como aqueles olhos tão sutis são capazes de me enxergar assim agora. Há tão pouco tempo eram meu abrigo, agora são minha maior fonte de dor. Dor por não imaginar que poderia receber uma traição tão grande.
Em poucos minutos de racionalidade, percebo que toda essa pontualidade de ações é tão incompreensível quanto a pontualidade em que nosso mundo se perdeu. Como duas vidas traçam um caminho só, para depois dois caminhos virarem apenas uma vida passada? Eu sei, não dá para entender. Assim como várias outras perguntas não tem explicação. As que têm, não são aceitáveis. Duas faces em uma pessoa só não é aceitável. Nunca será, isso é certo.
O coração acelera. Uma viagem, uma tarde e uma tentativa. Depois, uma noite também. Outra tentativa, dessa vez mais recompensada. Onde será que ficaram nossas asas? Naquela cidade, naquela noite ou dentro do automóvel, antes de eu descer? Não sei, talvez ninguém saiba. E, se quer saber, não é hora de me preocupar com isso. Não há tristeza que dure tanto. Assim como estarei renovada após esse banho, sairei amadurecida dessa crise nostálgica que insiste em perturbar minha cabeça.