28 de abril de 2009
O que existe aqui, são só palavras. Hoje tentei escrever de várias maneiras, e sempre terminava voltando ao mesmo começo. Não consegui escrever belos poemas, a mágoa insistia em falar mais alto. Isso é algo inédito, pois só me lembro de momentos que as palavras fervilhavam na minha minha cabeça, todas querendo sair ao mesmo tempo, e eu tentando organizá-las. Parece que tudo mudou mesmo, todos os acontecimentos indicam meu esfriamento, e torço para as consequências positivas predominarem. Mas já que hoje aconteceu isso comigo, decidi que é melhor ficar um tempo sem tentar traduzir sonhos e pensamentos. Existem confissões que não devem ser reveladas, existem sonhos que não devem ser desvendados. Será melhor, pois o que eu sinto não mudará nunca.
26 de abril de 2009
É mágoa. E eu quero dizer de antemão: se eu te encontrar, saiba que estou com três pedras na mão. Ontem eu saí por aí procurando uma contramão, e acabei chegando na sua rua. Enquanto tentava achar sua janela, lembrei do nosso combinado de cada um ficar na sua, mas a saudade realmente me tirava a consciência. Foi nesse mesmo instante que eu atirei uma pedra na sua janela e corri por arrependimento. Era o medo de te acertar que me apavorou, mas em meio a todo o torpor, minha intenção era te acertar, e disso eu quase me esqueci. Atirei outra pedra na sua janela, uma que não fez o menor ruído. Não quebrou, não rachou, não deu em nada, então pensei que talvez você esteja tentando me esquecer. O que eu não consegui foi te acertar o coração, pois pelo tanto que eu tinha sofrido, eu já era o meu próprio alvo. Minha raiva quase transpassou a espessura do seu vidro, junto com essa mágoa que tomou conta da minha vida. E se você me viu, saiba que eu chorei apenas água com sal. Os meus olhos vermelhos estavam de volta, ali na sua frente. Se desse um vento, seria maremoto. É mágoa.
24 de abril de 2009
A canção tocou na hora errada. E eu que pensei que eu sabia tudo, mas se é você eu não sei nada. Quando ouvi a canção, era madrugada. Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caia bem como uma luva. Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual. A canção tocou no rádio agora, mas você não pôde ouvir por causa do temporal. Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma, já que eu não sei de que forma você foi embora. A canção tocou na hora errada, mas não tem nada não, eu até lembrei das rosas que dão no inverno, quem sabe elas possam me responder como foi essa sua forma de ir embora.
23 de abril de 2009
Dessa vez, não quero que você saiba que meu pensamento está em você. Trago apenas a intenção de te mostrar que te quero sempre bem. Saiba que quando a noite chega e traz consigo a calmaria, eu peço a Deus para que proteja seu caminho, já que este nunca mais me pertencerá. Oro também para Ele ajudar-te a planejar seus passos, evitando ao máximo que se perca com uma ilusão, e que faça opções favoráveis para você mesmo. E Deus sempre atende minhas preces. Então, ficarei feliz se algum dia chegar aos meus ouvidos que você traçou um caminho brilhante e que parou de perder chances únicas ao provar do próprio veneno. E ficarei mais feliz ainda se souber que sua visão deixou de ser voltada somente para seu umbigo e que soube dar o devido valor para cada pessoa que foi capaz de ter dar o mundo. Quando esses tempos chegarem e você sentir o gosto do meu beijo invadir sua boca involuntariamente, agradecerei aos céus e te esperarei, pois você saberá onde me achar.
22 de abril de 2009
Eu poderia estar com a consciência pesada e arrependida por certas atitudes, mas não estou. E nem vou ficar. O fato de eu ter participado de um jogo sujo não me incomoda. Eu entrei nesse psico-jogo com a certeza da vitória, e ela veio. Sim, por poucas horas, mas veio. Desde o primeiro dia eu tenho fixado na cabeça as jogadas certas para alcançar meu objetivo. Eu optei por esse caminho, escolhi as cartas e assumi as consequências. Agora, o que eu lucrar ou perder só cabe a mim. Já que agora eu posso lavar minhas mãos e acusar todos que me deram uma gaiola disfarçada como presente de Natal. Uma vez assumida as consequências, vou continuar exercendo a liberdade que conquistei, sem deixar alguém me dizer o que devo fazer. Chegou a hora de dar valor ao meu suor.
21 de abril de 2009
Alegria = alegria
Não é difícil perceber que esse clima de mistério não se deve ao filme de terror que transcorre na tela. São esses olhos que me embriagam de desejo que compõem esse enigmático clima. É nesse olhar que eu me perco tentando decifrar a percentagem de inocência e perversão que existe no seu ser. É nessa boca que eu tento achar respostas para as dúvidas que me acercam, mas que eu esqueço quando nossos lábios se entrelaçam e o mundo pára para eu ser feliz. É nesse seu peito que me aquece que eu deposito meus dias de escuridão e dor. É no brilho desse seu sorriso tímido, meio de lado, que eu sinto meu coração bater mais forte, ainda não acreditando que essa cena é real e que a vitória do jogo é minha. E é por causa do seu conjunto de características que me fazem tão bem que eu te agradeço por ter me devolvido a alegria e o brilho da vida por alguns instantes. Pode ser que demore demais para eu sentir tanta alegria assim de novo.
15 de abril de 2009
The Last

Eu sempre soube que aquela seria a última vez. Sempre soube que aquela seria a última noite que nossos lábios se encontrariam. Não sei porque não me permiti ter consciência disso, sendo que era tão óbvio. Aliás, tudo já estava claro há muito tempo. Não foi da noite pro dia que o fim chegou. O fim foi nos consumindo pouco a pouco, bem lentamente para podermos apreciar o amargo gosto que se contrastava com nossos beijos. E por mais que eu tentasse nos defender dessa tempestade, minhas armas nunca eram suficientes. Essa tempestade me cansava, a maré subia exponencialmente e a nossa vida se tornou uma bomba relógio, com o fim marcado. E hoje te agradeço por ter explodido essa bomba de tal modo. Te agradeço por ter acabado rapidamente com nossa vida. Machucou demais e nem tem como mencionar o quanto a dor foi terrível. Mas hoje posso notar claramente meu consequente e positivo amadurecimento. Também te agradeço por ter feito as coisas se tornarem tão crueis, ter complicado o incomplicável e não ter seguido nenhum combinado nosso. Suas atitudes me fizeram sangrar durante semanas, mas foram essenciais para eu renovar meus pensamentos sobre tudo, mesmo tudo sendo muita coisa. E não é a toa que hoje eu não lembro mais nem da cor do sangue. Sem sombra de dúvidas, eu ainda estaria doente de amor se não tivesse vindo à tona suas sujas atitudes. Por isso, também te agradeço por ter me mostrado (um pouco tardamente) a realidade do 'ser diferente de todos'. Pode estar certo de que isso também foi muito importante pra mim, e a verdade não poderia ter aparecido em hora melhor. Em suma, minha atual felicidade te agradece por ter sido tão frio e ter jogado tão estupidamente. Muito obrigada mesmo.
7 de abril de 2009

Cada vez que eu vou, fica um pedaço de mim perdido em algum canto. Talvez aí em você, talvez no teu quarto, talvez na tua cama, talvez no teu chão. Talvez fique no sonho que não vivemos até o fim ou no desencontro, talvez no ponto ou no encanto. Só sei que fica um pedaço de mim e vai um pedaço seu comigo. O seu não fica perdido em nenhum canto. Fica vivo e nobre, rei de todos meus sentimentos, monarca de mim mesmo.
6 de abril de 2009
Cai amplo o frio e eu durmo na tardança
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter.
E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anônima, profunda,
Náusea da indecisão.
Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for!
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter.
E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anônima, profunda,
Náusea da indecisão.
Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for!
Fernando Pessoa
Não existe coisa mais íntegra do que o amor. Enquanto ele teve seu espaço dentro do meu peito, não coube mais nada. Não coube mentira, não coube outro sentimento. Eu pude ser verdadeira, pude lutar pelo que quis e até erguer um grande castelo. E durante esse tempo que meu amor pôde ser exteriorizado, eu vivi a melhor fase da minha vida. Foi aí que sorri, cantei, pulei, me realizei, me encantei, enfrentei meus medos, chegando até a entregar meus desejos. Mas só quem sabe o que é ver quem se quer partir e não ter pra onde ir que sente a dor que eu senti. É uma dor amarga e irreal. Quando eu ouvi falar sobre ela, não imaginei que seria tão cruel. Mas essa dor veio pra mim. E não veio fraca. Chegou como um furacão e arremessou longe demais todos os meus sonhos e a minha esperança. Demorei pra perceber que tinha perdido tudo e que o ponto zero estava me esperando. Mas não fugi desse ponto, encarei-o de frente conforme o aprendido. Só demorei um pouco para aceitar que a melhor fase da minha vida não teve direito a um fim à sua altura, mas essa parte não coube a mim. De novo, aceitei. Aceitei amargamente, recordando o gosto da dor. E é assim que estou hoje. Aprendi a me defender e o lápis no meu olho é para afastar quem não me quer feliz. E uma das coisas que estou aprendendo é que não posso me enganar. Penso muito na gente e não mentiria ao falar que sua ausência me dói o calcanhar. Mas estou me saindo muito bem ao sorrir na sala e chorar no quarto. Por isso, me importo comigo e meu mundo se tornou individual. O mundo que está visível não é o meu mundo. É preciso ir muito além dessa fantasia para descobrir minha nova essência. Não me importo em não ser transparente com algumas coisas, prefiro me preservar. Prefiro pagar o preço de vestir essa fantasia todos os dias do que ver meu mundo desabar de novo. Prefiro continuar fechada na minha casca, sem ninguém saber o que está passando aqui por dentro. Só assim vou conseguir garantir minha futura felicidade e que meus sonhos possam ser erguidos novamente.
Ela é apenas mais uma. Mais uma que teve suas mãos atadas ao ver seu mundo desabar. Ao ver tudo que construiu com tanta cautela ser levado por um mar amargo e frio. Frio como o silêncio que rasgou seu peito quando a noite caiu, que foi quando ela percebeu que tinham levado as melhores lembranças de sua existência. E agora ali estava ela, tentando enganar seus sentidos e pensamentos, como uma pessoa burla um sistema de computador somente para continuar em frente. Só para conseguir manter a cabeça fora d'água durante a tempestade que está a aguardando. Mas agora não é a hora de deixar tudo desmoronar. Chegou a hora dela. E agora ela vai pensar nela mesma, e focar no seu futuro. Agora não é hora de ficar se lamentando por coisas que ela não causou. Ela não foi atrás do sofrimento e sempre se esforçou para essa dor não existir. Não é justo tudo isso acontecer desse jeito. [ algum dia isso continua]
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?
Fernando Pessoa
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?
Fernando Pessoa
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