20 de agosto de 2009
Venha aqui perto, quero saber mais sobre você. Posso imaginar quantas lágrimas inundaram seu sorriso, mas prefiro escutar suas palavras sobre elas. Confie em mim, pode se abrir. Quero ser seu porto seguro, aquela que você não terá medo de se apoiar. Pode segurar minha mão com a intensidade que desejar, estou aqui para isso. "Vim cuidar de você, te proteger, te fazer sorrir". Feche os olhos com a certeza de que te farei feliz como nunca. Esse é meu objetivo. Não quero apenas estar com você, quero estar dentro de você. Invadir seu pensamento, habitar seu coração e ser sua segurança. Não que eu queria exercer monopólio sobre você, ao contrário, quero que você seja tão livre a ponto de me desejar espontaneamente. Desejar-me por inteira, desejar-me completamente. Sonhar com um beijo meu, acordar sentindo meu abraço. Assim, poderemos ser o que não fomos durante todos esses anos, com a certeza de que o tempo só nos beneficiou.
18 de agosto de 2009
Por muito tempo, tive que andar me equilibrando em uma corda bamba. Sem qualquer forma de equilíbrio maior, venci batalhas, mas não a guerra. A guerra acabou muito mais cedo que o combinado, e o fim da mesma trouxe vendavais terríveis para eu cair de vez da corda. Cai, conheci o frio que o chão gera quando vive-se sozinho. Não preciso esconder meu tombo, assim como não nego que me ergui melhor ainda. Não foi fácil nem rápido, mas eu consegui, presenteando-me com mais uma vitória. E, agora que estou no mais perfeito equilíbrio, sinto-me no meu melhor modo. Estou onde eu quero, com quem eu quero e como eu quero. A vida pode mandar ventos, chuvas e até terremotos que ainda assim continuarei fazendo o meu melhor, sem medo de nenhum porém que a vida quiser me dar.
15 de agosto de 2009
Seria tão mais fácil se eu conseguisse sentar e escrever tudo o que eu quero. Talvez se eu soubesse escrever melhor ou se essas linhas me ajudassem, sairia um arranjo melhor de palavras. Mas esse é meu jeito de traduzir meus pensamentos, e nem sempre é agradável a todos os olhos. Além disso, não tenho muitos sentimentos compreensíveis, e por mais que eu me esforce, não consigo achar palavras fiéis para descrevê-los. Por isso, é muito mais verdadeiro eu sorrir para todos a minha volta - dessa vez verdadeiramente - pois ficará muito mais transparente a minha felicidade. Felicidade por estar aqui, por estar do jeito que eu quero e gosto, e por me sentir tão completa. Está assim, que sempre esteja assim e que não mude jamais.
13 de agosto de 2009

No rádio, a música flui lentamente. A mesma música em uma situação oposta. Agora ela não consegue marejar meus olhos e meus pensamentos voam longe. Na verdade, não consigo apontar o momento exato em que ela se iniciou, nem o porquê de estar aí, tocando. Talvez eu tenha encontrado um CD no meio das minhas coisas e esse tenha despertado minha curiosidade sobre seu conteúdo. Ou então, ele não saiu de dentro desse rádio durante todo esses meses, afinal, não tenho mais tempo - nem interesse - para controlar tais pequenos detalhes. O que importa é o agora. O presente é muito curto para eu ficar me mutilando com o passado. Trago apenas as coisas boas, e assim consigo fazer cada vez melhor meu presente. Apesar de tantas coincidências entre antes e agora correrem atrás de mim, aprendi a conviver lado a lado com elas. Não dá para me esconder das lembranças, e isso não faz parte de mim. Sempre que elas aparecem - cada vez mais gradativamente - encaro-as positivamente, sem razões para choros e lamentações.
Enquanto a música vai terminando, lembro-me de quantas vezes não acreditei em quem me dizia que tudo tem o seu fim. Sem tom melancólico, hoje sei que há a hora certa de todas as coisas acontecerem, assim como elas têm sua hora de terminar. Não cabe a mim escolher o momento certo de tudo acontecer - e consequentemente terminar também. Muitas vezes vi a vida me fechar várias portas, e a cada vez me doía mais. O detalhe essencial que eu não sabia é que muitos presentes me seriam dados após tais perdas. Entre essas perdas, a maturidade adquirida é, sem hipérboles, indescritível. E, assim como aquela música no rádio já parou de tocar, a tempestade já se passou, e, com certeza, não vou viver com medo da próxima.
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