30 de julho de 2009

Amor é Síntese

Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.

28 de julho de 2009

Estranho

É estranho perder o sono de madrugada para decifrar certos pensamentos, assim como é estranho não conseguir dormir devido à perturbação que eles causam.
É estranho alternar entre a visão clara e obscura do mundo ao meu redor.
É estranho ter tantas palavras querendo ir garganta a fora e ter a obrigação de impedi-las cada vez mais.
É estranho haver tantos detalhes em aberto, tantas perguntas sem respostas, tanta vontade abstrata.
É estranho não caber mais no lugar que eu conquistei e que um dia pensei ser meu por toda a vida.
É estranho estar ensinando lições que já me foram ensinadas, e ver tantas pessoas na mesma situação que eu já estive.
É estranho ver o inverno entrando pela janela aberta e lembrar quantas portas já me foram fechadas.
É estranho continuar inventando desculpas para não fazer certas coisas, sabendo que são necessárias.
É estranho ver tanta hipocrisia maquiada e continuar com as mesmas vontades com as mesmas pessoas.
É estranho passar pelo mesmo portão mas sem o mesmo motivo.

22 de julho de 2009

"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."


A força das palavras se vai, mas não sem deixar grandes marcas. Tais marcas sempre estarão dentro de mim, no entanto, não afetarão minha felicidade. Não quero mais adiar minha felicidade assim como tentei evitar meu sofrimento. Se fosse em tempos antigos, até aceitaria viver desse modo. Mas não. Não estou disposta a viver me lamentando a cada dia. Quantos meses mais de enrolação? Quantas viagens mais para aparar as arestas que não querem ser aparadas? Chega. Quero ser feliz, e ninguém roubará esse meu direito.
Por favor, não comente sobre isso. Não me interessa a opinião de ninguém, não quero saber sobre nenhum ponto de vista. Estou decidida e isso basta. E também não pense que é apenas mais uma utopia. "Como ela será feliz carregando as marcas citadas?". É simples. Nenhum sentimento é perfeito, e a felicidade se constitui de altos e baixos. Superarei os baixos sozinha e só eu comemorarei os altos.
E assim seguirei, com o futuro que a vida me presentear.

20 de julho de 2009

Desde crianças, somos instruídos a seguir a frase: "Faça o que seu coração manda". Crescemos ouvindo esse conselho - afinal, coração de criança é puro - e na pré-adolescência, ele ainda está presente nas conversas entre mães e filhos, avós e netos. Quando nos tornamos adolescentes, o senso crítico aflora, e nos perguntamos se essa frase está mesmo correta.
Há anos, fico dividida ao responder essa questão. Nossa mães - e avós - só querem o nosso bem, por que dariam um conselho equivocado? Ao mesmo tempo, com milhões de pessoas sendo instruídas a seguirem o coração, por que o mundo está essa loucura? Será que matar crianças inocentes durante bombardeios no Oriente Médio é obedecer ao coração? Creio que não.
Particularmente, acredito que tal conselho está correto. O grande equívoco da população é a falta de experiência em ouvir o coração, já que ele é uma das partes do corpo menos valorizadas. É raro ter um tempo diário para pensar no que realmente é importante e pôr na balança o real peso dos desejos almejados. Uma vez que essa atitude se torna realidade, os resultados da reflexão dificilmente virão à tona, pois é muito mais cômodo continuar empurrando o mundo com a barriga e fechando os olhos para a realidade.
E assim vamos, dia após dia, geração após geração. Não é a toa que hoje estamos pagando o preço da comodidade das gerações anteriores, assim como as futuras pagarão pela nossa atual insistência na ignorância.

17 de julho de 2009


E saiba que forte eu sei chegar, se for preciso eu sumo.
Sumir, sumir, sumir!

8 de julho de 2009

Eu não queria, mas ela queria. E como queria! Olhava-me fixamente nos olhos, e a sua vontade ficava mais evidente a cada segundo. Às vezes ela disfarçava, desviando o olhar para minha boca. Ainda assim, sua mão segurava forte meu pescoço, e seus lábios imploravam para sentir o meu gosto.
Sou um homem tradicional, viúvo e cavalheiro à moda antiga. Não é correto essa moça estar dentro de minha casa, e o frio que está fazendo lá fora me convida para uma taça de vinho à beira da lareira. No entanto, eu fugiria dos meus princípios se deixasse-a na chuva, como a vi pela primeira vez. Por isso ofereci o convite para entrar em meu apartamento, mesmo sem saber de onde ela veio e quem ela é. Isso não importa agora. Suas pernas estão perfeitamente encaixadas no meu colo, e só agora reparei o quanto são alvas e compridas. Quantos anos será que ela tem? Sua rosto me faz pensar que tem no máximo quinze anos de inocência pura. Mas seu corpo.. Seu corpo me faz pensar que já é uma mulher formada e com larga experiência. Permaneço nessa dúvida enquanto ela se levanta e me pergunta se pode experimentar um banho quente. Pode, é claro que pode. As toalhas ficam na segunda gaveta debaixo da pia.
Ela vai em direção ao banheiro e fecha a porta. Pelo barulho, percebo que não trancou a porta. Ouço o som do chuveiro e abro a porta tão levemente que pareço uma pluma. Ali, escondido dela, posso ver a água caindo sobre seu corpo, e parece que (também) tem medo de machucá-la. É claro que a admiro em desfoque devido ao vidro que nos separa, mas posso imaginar como é belo cada fragmento do seu corpo. Após alguns instantes, fecho a porta e a deixo acabar de tomar seu tranquilo banho, afinal ela não pode saber que metade de mim (ou mais que a metade) a deseja por completo. Faço um leite quente para nós dois (nada de vinho por hoje!) e arrumo a cama do quarto de hóspedes para ela descansar a noite toda, conforme o merecido.
A noite passa e eu esqueço de dormir tentando encaixar as peças desse complexo quebra-cabeça. Claro que não obtenho sucesso, e quando levanto da cama, vou ao quarto ao lado - onde ela está. Noto sua ausência. Para onde ela foi? Confiro a casa e vejo que tudo está intacto, ela não levou nada consigo. Nada além da minha vontade de tê-la. O que farei agora? Passo a mão por baixo do travesseiro e tiro um papel. Abro-o rapidamente, mas só há uma palavra: "Voltarei".
Tanto tempo já se passou, e ainda estou aqui, no mesmo prédio, com a mesma vida. E ela, pode onde anda? Não sei, estou cansado de esperá-la. Mas olhe, olhe pela janela. O tempo está muito fechado, presumo que vá chover muito essa noite, e depois o frio chegará. Será que..?