6 de abril de 2009

Não existe coisa mais íntegra do que o amor. Enquanto ele teve seu espaço dentro do meu peito, não coube mais nada. Não coube mentira, não coube outro sentimento. Eu pude ser verdadeira, pude lutar pelo que quis e até erguer um grande castelo. E durante esse tempo que meu amor pôde ser exteriorizado, eu vivi a melhor fase da minha vida. Foi aí que sorri, cantei, pulei, me realizei, me encantei, enfrentei meus medos, chegando até a entregar meus desejos. Mas só quem sabe o que é ver quem se quer partir e não ter pra onde ir que sente a dor que eu senti. É uma dor amarga e irreal. Quando eu ouvi falar sobre ela, não imaginei que seria tão cruel. Mas essa dor veio pra mim. E não veio fraca. Chegou como um furacão e arremessou longe demais todos os meus sonhos e a minha esperança. Demorei pra perceber que tinha perdido tudo e que o ponto zero estava me esperando. Mas não fugi desse ponto, encarei-o de frente conforme o aprendido. Só demorei um pouco para aceitar que a melhor fase da minha vida não teve direito a um fim à sua altura, mas essa parte não coube a mim. De novo, aceitei. Aceitei amargamente, recordando o gosto da dor. E é assim que estou hoje. Aprendi a me defender e o lápis no meu olho é para afastar quem não me quer feliz. E uma das coisas que estou aprendendo é que não posso me enganar. Penso muito na gente e não mentiria ao falar que sua ausência me dói o calcanhar. Mas estou me saindo muito bem ao sorrir na sala e chorar no quarto. Por isso, me importo comigo e meu mundo se tornou individual. O mundo que está visível não é o meu mundo. É preciso ir muito além dessa fantasia para descobrir minha nova essência. Não me importo em não ser transparente com algumas coisas, prefiro me preservar. Prefiro pagar o preço de vestir essa fantasia todos os dias do que ver meu mundo desabar de novo. Prefiro continuar fechada na minha casca, sem ninguém saber o que está passando aqui por dentro. Só assim vou conseguir garantir minha futura felicidade e que meus sonhos possam ser erguidos novamente.
Ela é apenas mais uma. Mais uma que teve suas mãos atadas ao ver seu mundo desabar. Ao ver tudo que construiu com tanta cautela ser levado por um mar amargo e frio. Frio como o silêncio que rasgou seu peito quando a noite caiu, que foi quando ela percebeu que tinham levado as melhores lembranças de sua existência. E agora ali estava ela, tentando enganar seus sentidos e pensamentos, como uma pessoa burla um sistema de computador somente para continuar em frente. Só para conseguir manter a cabeça fora d'água durante a tempestade que está a aguardando. Mas agora não é a hora de deixar tudo desmoronar. Chegou a hora dela. E agora ela vai pensar nela mesma, e focar no seu futuro. Agora não é hora de ficar se lamentando por coisas que ela não causou. Ela não foi atrás do sofrimento e sempre se esforçou para essa dor não existir. Não é justo tudo isso acontecer desse jeito. [ algum dia isso continua]
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.

Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?



Fernando Pessoa

30 de março de 2009

Perdoa-me, meu amor, se não falo mais sobre rosas, nuvens ou fantasias. Meu coração ainda não se recuperou do fúnebre do nosso amor. Perdoa-me se agora só conheço os verbos da 1ª pessoa do singular, esse foi o único modo de me mostrar que existe vida após a falência dos meus sonhos. Perdoa-me se não tenho mais o seu nome estampado em meu sorriso, mas é melhor preservar nosso passado somente aqui dentro. Perdoa-me se acordo mal humorada depois de um sonho que você estava, eu sei que nunca foi assim. Na verdade, esse mau humor é o torpor disfarçado. Perdoa-me se agora comemoro nosso dia bebendo nosso vinho sozinha, pois é melhor que você se importe com coisas mais significativas. Perdoa-me se não compartilho mais minhas alegrias ou dores contigo, exaltando meu amor próprio. Mas acima de tudo isso, perdoa-me por ainda te desejar todas as manhãs, e conservar essa grande paixão por ti, amado..

29 de março de 2009

Convesa de botas batidas

Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar
Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem
Diz quem é maior
Que o amor
Me abraça forte agora
Que é chegada a nossa hora
Vem vamos além
Vão dizer que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair



(Los Hermanos)

26 de março de 2009

Foi estranho nos ver juntos essa noite. Foi estranho nos ver tão próximos, repetindo uma das melhores fases que vivemos. Depois dessa maré que inundou nosso barco, é muito difícil calcular os danos agora. Depois de uma semana, é difícil de aceitar muita coisa. Como posso aceitar que o tempo vai colaborar, se até agora só me tirou as forças?
Ainda não posso acreditar no que aconteceu, ainda não consigo aceitar que meu amor teve que passar por mais essa prova de resistência. Não dá pra aceitar que o amor que foi meu até instantes atrás se esgotou de uma maneira tão fria e calculista. Eu sabia, e sempre soube que a pessoa que estava ao meu lado é esse grande freezer, só não sabia que seria capaz de congelar nosso amor de tal forma. É mágoa que eu sinto aqui dentro. Cada atitude minha, por mais que eu tente justificar de outra forma, é em função dessa mágoa guardada. Mágoa por ter sido traída, talvez até duplamente. Mágoa por ter sido enganada, como se não tivesse valor nenhum.

21 de março de 2009

Não confuda solidão com transformação. Não me cobre uma não-verdade. Chegue perto de mim e verá que o que te incomoda, na verdade, é a minha solidão. Não pense que estou sofrendo a influência de alguém, pois o que acontece é exatamente o contrário: minha cabeça aprendeu a abrandar a dependência psicológica. Essa foi a minha única opção para conseguir me manter equilibrada quando tiraram as rodinhas da minha bicicleta. Somente com essa atitude que eu pude me manter sóbria enquanto tudo caia. Mas a Lectícia conseguiu passar por essas provas de fogo que a vida lançou,e ela te espera. É verdade que agora tenho o sorriso brilhando menos, mas posso te garantir que sempre te darei um sorriso aberto e brilhante, como sempre foi. A Lectícia, sua menininha, tem muita coisa guardada. Nada mudou em relação a tudo. Ela ainda sustenta cada troféu conquistado, cada lembrança vivida, cada sentimento vivenciado. E você, meu amor, é que possui isso tudo. Só você que pode resgatar ou afundar cada detalhe que ela guarda. Por isso, acredite na simplicidade dessas palavras, pois quem sempre te fala é a sua loira, amante, amiga e mulher. A pessoa que mais quer te ver bem, e a que mais luta por isso..

20 de março de 2009


não seria uma má idéia ganhar carinho e amor hoje.

17 de março de 2009

Assim eu vejo a vida


A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina

14 de março de 2009


É agora que vem o exercício, com sua grande cara de sacrifício, de conviver com a saudade. Passo o olho nos ponteiros e saio, risco todos os calendários só pra ver esse tempo passar.

De noite, no sonho, a gente se junta, se deita, se ama e o peito, num breve momento, pára de reclamar. Com o dia raiando e o café quente, começo no intento de ser paciente até a noite chegar.

Se a coisa ficar preta e um cisco no olho entrar, corro e abafo as lágrimas com aquela sua blusa perfumada até me embriagar. No criado-mudo, as fotos têm vários segundos de risos e beijos nos mais diversos lugares. Na gaveta, cartas e bilhetes acalmam as noites com fragmentos das nossas memórias.


(Autor Desconhecido)